sexta-feira, 7 de março de 2008

Subjetivamente

por Keissy Carvelli

Brinco com um porta copos e um cinzeiro bem dispostos e de fácil acesso a qualquer uma de minhas mãos. Tomo uma cerveja, e talvez eu acenda um cigarro; talvez eu cante algum refrão ou quem sabe eu saia por aquela porta, botando um pé atrás do outro num ato estritamente mecânico. Talvez eu não faça coisa alguma e prossiga nessas confusões literárias de ser, estar e querer.
Acho subjetivamente interessante essa imagem da menina sozinha num final de tarde tomando uma cerveja em seu quarto ouvindo qualquer "balada do amor inabalável" deixando a noite cair, e cair, e cair, e os olhos abertos decifrando todo pensamento oblíquo surgido no imaginário real e inconsolável sobre qualquer aspecto. Penso que essas cenas deveriam fazer parte de um filme, e antes que a música acabasse, surgiria um telefonema que a faria sorrir por horas, e então mudaria o repertório, dançaria no quarto, e sonharia em devaneios conscientes, e se embriagaria do prazer doce daquele "romance ideal", ainda que só nos sorrisos.
Mudo de parágrafo e logo chego a conclusão de que não há finalidade alguma nisso tudo, nessa prosa, nesse ácool, nessa precaução, nessa falta de tema. Substancialmente não há nada pra ser dito. Assinei, há pouco, uma revista mensal, e creio ser um passo importante tal qual comprar um carro, uma casa. É um tipo de "adultismo", se é que me entendem. A gente sai de casa, faz um cartão de crédito, entra na faculdade, procura estágio, compra cervejas, acende um cigarro no quarto e logo está ali, assinando uma revista jornalística para ler todo mês ao tomar café, ainda que eu não seja adepta do café preto em si.
Sinto não ter uma conclusão. Talvez eu abra outra cerveja e tenha orgasmos mentais com a tal da liberdade, com a tal da assinatura da revista. Sinto não ter uma conclusão, obrigada.

Um comentário:

Nana disse...

eu tenho 3 porta copos na minha escrivaninha, ainda sim os copos ficam direto no móvel. talvez se meu porta copos fosse do chopp brahma, eu usaria mais.

e quanto ao café, virou minha missão de vida te ensinar a tomar café :)