terça-feira, 20 de novembro de 2007

Dobradura

por Keissy Carvelli

Já não podia ouvir as vozes lá fora,
Nem o som do céu, dos grilos, do vento frio.
Trançava os dedos, prendia o riso;
Desfazia em palavras curtas
A tensão serena do desejo escondido
Daquela voz tão calma causadora do meu arrepio

Já não podia cessar aquela paixão
Um tanto madura, um tanto infantil
De cores pintadas em desenhos escritos;
De papéis dobrados em formas intimistas
Contrastados numa paciência sólida,
Tão estratificada como outrora não se viu.

Já não podia querer
Evitar os versos,
As vozes, o tempo, a contradição;
Já não podia deixar em branco
Folhas e linhas caídas por aí;
Já não podia desafiar o mundo,
Tampouco ter uma estrela nua; uma gota de chuva
E você noutra mão.

3 comentários:

pseudo poeta disse...

Pois é, foi no topo do ciúmes misturado à raiva ouvindo músicas sem inspiração nenhuma e parafraseando versos.

David disse...

Uh, eu sei fazer um tsuru. Sabe, aquela garça clássica e tal. E o mais legal: com uma mão só (eu, eu só preciso de uma mão pra fazer o tsuru, não que o tsuru que eu faço só tenha uma mão).

Voz tão calma, huh?

E ah, mudei pro wordpress porque lá é mais arrumadinho. Você deveria experimentar também. Um luxo.

Jéssica V. Amâncio disse...

Nossa, gostei! Você escreve bem viuuu?!=)
Desculpa a invasão.