segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Passagem

por Keissy Carvelli

A distância chegou sorrateiramente, sem que eu esperasse, tampouco precisasse. Eu nunca saberia explicar o quanto eu não a suporto.

O caminho entre o meu quarto pequeno e mal iluminado até a cozinha me enche de náuseas. Preciso me certificar de dar os passos certos para não distorcer a direção. É insuportável. Percorro quilômetros sem saber quando será a próxima vez, sem saber, sequer, se haverá próxima vez. Tudo se apresenta tão instável, tão longe, tão distante.

Insuportável a distância entre o desejo e a pele; entre os olhos e o toque; entre a vontade e o beijo. As cores vão perdendo o tom a cada segundo que passa e não há nada a ser feito. Eu não esperava por ela, por elas. Soa como um contragolpe, e eu já não posso defender meus receios, meus medos.

Estão todos jogados por aí, uns por aqui, e pouco importa. Não há receio quando há um sorriso que venha daquele rosto conhecido e pouco visto. Eu não suporto a distância física cravada em estradas curvas. Eu não suporto a distância que provoca a saudade, a incerteza, a certeza de que uma hora ou outra eu apareço. Eu apareço por lá, por aí, eu apareço em ti.

Eu não sei quem é você, quem é ela, e por que raios tudo se confunde. Eu não sei por que raios eu vou dizendo tanta besteira, tendo uma imensa vontade de apagar cada letra mal digerida, mal decifrada. Eu não suporto a distância que me coloca tão perto e tão longe de você. Eu não suporto a distância, eu me importo com você.

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