quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Menina dos olhos

por Keissy Carvelli


Ó Solidão, por que interrompe meu sono?
Por que desperta a cada manhã em meus braços
Sorrindo sem pressa de partir?
Solidão dos olhos negros dos desafetos
Do vazio inerte; do avesso; do desejo
Não vê minha angústia?
Não conhece meus pensamentos? Minhas palavras?
Não lê poesia? Não traduz meus versos?
Não sente ao menos culpa pelas promessas não ditas?

Solidão, menina dos olhos
Não feche a porta ao entrar
Deixe entreaberta entre os suspiros
E a dor.
Não cansa de desatinar suas fraquezas sobre mim?
Não sente o toque frio de minhas mãos?

Solidão, meu amor
Se te faço versos é para te espantar de mim.
Se te rogo praga
É para saber a hora de voltar.
Sem pressa, sem calma
Sem intensas tempestades
Apenas vá
Limitando-se a uma breve despedida
Eu e você, a sós, na cama onde tudo começou.

Solidão das noites nebulosas
Escute meu sono chegando
E parta sem fazer barulho.
Desarrume a sala em protesto;
Deixe seu perfume no lençol;
Guarde algum bilhete;
Beije meus lábios
E descanse em outro lugar
Onde possa repousar suas certezas
E seus monólogos insanos.

Menina, minha Solidão
Desculpe a indelicadeza
Mas não te quero por aqui.
Prefiro o frio, o calor
O pranto, a insatisfação.
Prefiro o terno, o vestido
A explosão
Ao seus toques impessoais.

Meu amor, vá
Não vire os olhos
Procure não me encarar.
Vá, Solidão
Não há mais nada aqui.
Pegue outro caminho,
Dormirei em paz
Sonhando sozinha.

Um comentário:

Jéssica V. Amâncio disse...

E a solidão vai embora pra de deixar mais só ainda.
:/
rs

Beijão.