Eu coloco minhas mãos, meu coração no fogo e vou queimando, queimando. Resto em pó, fico apenas em pó. Vou deixar a ponta, vou me ter em ponta.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Em cantos
por K.C
Nunca me mostrou novos livros, não me falou sobre filosofias baratas, não aposta comigo quem sabe mais, aposta em mim. Não conversa por horas sobre passados, lembranças concretas, histórias vencidas.
Seu corpo magro, de curvas definidas, braços longos e cabelos na altura dos ombros quase estreitos não se aventura por aí, em outro corpo qualquer. Ela é tão linda, e não acredita.
Acredita nas cenas que cobrem seus olhos indefinidos, acredita no que lhe toca o peito, sem saber exatamente onde. Se eu disser, ela acredita, se outro disser também pode acreditar. Ela é tão linda, e nisso não acredita.
Não sei seu partido, se tem, sequer, um partido. Não deve ter, não lhe cairia bem. Das políticas, ideias, confusões do mundo pouco sabe, pouco comenta, prefere deixar pra lá. Deixa pra mim, posso me virar bem.
O amor, o amor ela sabe, sem saber. Mostra serenamente o amor puro, completamente nu, sem medos, nem grandes expectativas. Num abraço de despedida, num beijo de chegada, numa lágrima de saudade me faz perceber o sentido em sorrir a dois. Ela é tão linda, e tão linda.
Os livros eu guardo na estante, as filosofias baratas no bolso vazio, as histórias vencidas eu espalho por aí. Tanto faz. O sentido que ela dá ao amor eu deixo em mim, para deixar que ela sinta numa felicidade sorrindo saindo de mim. O amor dela é tão lindo, e eu acredito.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Espere pela outra vez
por Keissy Carvelli
Essa coisa toda por dentro me sufoca. Quero sentir o céu inteiro nas manhãs e madrugadas deixando o meio dia, o meio termo para os corações cautelosos da cidade grande.
Esses meus exageros não são exageros inventados numa embriaguez efêmera, eu sou inteiro exagero. Tudo em mim grita, suplica, palpita, quando não grita sussurra tão intenso feito prazer insaciável, quando não suplica ataca, machuca, fere com tamanha precisão, precisa tanto do pulso acelerado.
Minhas paixões vão assim, enlouquecendo junto das minhas próprias loucuras. Minha paixão toma todo o mar visto de ano em ano como seu próprio limite inexistente. Prefere a indiferença ao limite. Vai parecendo doce, encantadora doçura tamanha, vai se mostrando excitante nos gemidos ao canto da nuca, exatamente onde o cheiro de pele é somente seu.
Depois, depois é amargo. Volta a ser doce a paixão, o amargo é apenas o amargo, como num dia ruim, numa solidão ruim, numa sobriedade medíocre.
É doce, docemente amargo, e, então, doce outra vez.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Pílula pro dia seguinte
por Keissy Carvelli
Eu quero que você me queira pra sempre. Porque quando eu te faço almoço na minha casa quarto-cozinha você sorri e diz que sou a melhor pessoa do mundo e eu nem sou. Nós duas sabemos que nossos sorrisos dão certo juntos, e quando você vem, e quando eu vou e quando estamos é como se o céu se enchesse de estrelas mesmo nos dias frios.
A distância traz uma saudade apertada, eu sei, você sabe, e quando a minha saudade não se suportar sozinha eu vou deixar uma lágrima escorrer e vou te ligar e você vai me ouvir. E quando a sua saudade for como a minha você me liga e eu vou, você sabe que eu vou.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Doce saudade de um doce amor
por Keissy Carvelli
Gosto de assistir à lua da janela do meu quarto cada vez mais ao centro do céu. Surgiu fraca, ainda escondida por trás do telhado e das paredes da casa ao lado, mas logo seu brilho forte se postou em frente à minha janela, fazendo-se perceber até mesmo pelo vidro espesso.
Vejo tantos detalhes da janela do meu quarto, falta-me o mar, é certo. Logo menos terei a lua, o céu, o mar, você, juntos sem que se faça necessária minha imaginação quase infantil.
Seu amor é assim, como a lua. Surgiu por trás de luzes artificiais, canções especiais, mas logo se postou em frente à minha janela, fazendo-se perceber até mesmo pelo vidro espesso.
É suave, doce o seu amor, não fere, não maltrata, não sufoca. Sereno, ainda que intenso o seu amor.
Gosto de assistir à lua da janela das nossas lembranças. É quando penso em silêncio em você. Deixo a saudade surgir discreta em todos os meus sentidos, é suave, é doce a minha saudade. Machuca, é certo, mas não maltrata, não faz doer o amor. Serena, ainda que intensa a minha saudade.
Doce saudade de um doce amor. É quando tranquila deito e espero nosso encontro chegar.
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